diz-se

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domingo, 22 de abril de 2012

Cinquenta e dois

Faltam-me 13 anos para os 52 anos de vida. Quando era moço mais novo pensei muitas vezes que morreria cedo. Agora, desde há uns anos, tenho a certeza de que morrerei velhinho. E chato. O 52 chegou a número relevante porque o meu pai reformou-se depois de 52 anos de trabalho. Pré reformou-se. Um dos últimos.
Começou mais cedo do que eu. Ele, aos 10 anos já tinha patrão porque entretanto já não tinha pai. Já não o tinha por perto. Só morre quem é esquecido, repete ele muitas vezes. Foram 52 anos de trabalho e parece que 48 de descontos para a dita Segurança Social. Esta é a equação que lhe permitiu optar pela nova vi(d)a. Sendo que não sabe ao certo que vi(d)a é essa. Mas sabe como começa. Logo ao primeiro dia desse resto da vida dele passa-o no hospital. Coincidências pérfidas.

Mas eu a fazer contas de cabeça, sobretudo de somar, que as outras são mais difíceis, cheguei ao resultado do meu 52. Setenta e sete. Se eu trabalhar 52 anos aí chegarei com 77. Provavelmente sem direito a reforma quanto mais a pré. E chorarei todo o dinheiro que mês após mês me levam por imposição deste estado e ao estado que o deixamos, todos, chegar.

A inconfidência seguinte deixaria o meu pai com aquele ar carrancudo que rebenta em caralhadas várias. Aliás, toda esta coisa de estar aqui a falar dele, seria um caos sem diálogo. Mas como não usa a net e a família próxima não lê blogues sinto-me livre de consequências. No meu primeiro dia de trabalho, o primeiro a sério que conta como início da minha série 52, encheu-me ele de conselhos. Mais do que me deu no meu no primeiro de escola. Que me lembre. Eu começava a coisa já tarde e depois de aventuras sem sentido ainda antes da faculdade mas já depois de estágio profissional nada profissionalizante. Ele carregava nesse dia aquele ar de orgulho amedrontado. O filho mais velho começava a trabalhar e no ramo que escolheu (apesar de mais tarde se ter arrependido). O primeiro recibo, esse, seria superior, em valor, a todos os que ele alguma vez veria.
Agora fica em casa. Ele, e a minha mãe, cansados de tanto e de nada, vão tentar aprender a viver juntos outra vez, de outro modo. Num modo com mais horas. Creio que isso os preocupa mais do que qualquer outra coisa. Apesar de eles se preocuparem por tudo e por nada.
O meu pai viverá mais 20 ou 30 anos. No fim, as contas não serão outras. Terá passado mais de metade da vida a trabalhar. Faz parte, dizem. A mim parece-me que nos querem fazer crer que é para isso que cá estamos. Trabalhar. E dizem agora, à boca cheia, que já é uma sorte ter trabalho. Há muitos que não o têm, completam. Às vezes questiono porque tenho de trabalhar tanto. E, sobretudo, para quê.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Esto no es una crisis

A coisa foi replicada em alguns blogues nacionais e passou discretamente pelo (meu) facebook. A jornalista e escritora Maruja Torres escreveu no El Pais de 12 de Abril a síntese perfeita daquilo a que hoje assistimos. Por assim a considerar tenho que aqui replicar essa frase.  E porque este blogue precisa de citações inteligentes e análises sérias.

"Isto não é uma crise. Isto é uma remodelação do mundo, empreendida pelos poderosos para que os fracos percam o pouco que conseguiram ao longo de décadas de luta. Isto é uma asiatização e uma terceiromundização (palavras novas para tempos novos) da Europa, da mais indefesa, é o surgimento de coisas que nem sequer somos capazes de imaginar".
Maruja Torres no El País

E  assistimos pacificamente a tudo isto porque antes da remodelação amarraram os pés, as mãos e o cérebro, taparam os olhos e encheram os ouvidos e alguns bolsos a muitos de nós.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

American Dream

Na semana passada realizei algo que faz parte da paisagem cenica dos Estado Unidos. Quem viu o filme Easy Rider com o Peter Fonda e Dennis Hopper dos anos 70 recorda-se da importancia que este teve na cultura norte-americana.
O espirito de rebeldia e liberdade estava patente na viagem que eles fazem ao leme de uma Harley Davidson.
Pois bem, na semana passada fiz um pequeno passeio de Harley! E certo que nao foi na route 66 ou nas montanhas do Grand Canyon mas foi o mais parecido que consegui. Pelo menos era uma Harley Davidson Fat Boy. Uma das motos miticas da marca.
Ja nao andava de moto ha bastante tempo, nem nunca tinha conduzido uma Harley mas posso dizer que foi super facil conduzi-la. Quem sabe nao conduzirei uma na route 66. Ai sim, teria realizado algo que faz parte da iconografia americana.

sábado, 17 de março de 2012

Decisions, decisions....

Estou por estes lados ha dois anos e meio e sempre disso que isto era um isolamento, sem nada para fazer. Pois bem, amanha festeja-se em Savannah o St.Patrick's Day. Estes festejos movimentam um numero impressionante de visitantes e estima-se que amanha Savannah recebera mais de 1 milhao de pessoas. Estes festejos contam-se como sendo os terceiros maiores nos EUA apenas sendo ultrapassados por New York e Boston. Ate aqui nao estavamos mal. O dia 17 e amanha, um sabado, o que me permite ver a parada e ver a festa durante o dia (nos outros anos calhou durante a semana e eu estava a trabalhar apenas vendo durante a noite). Alem disso passei a morar em dowtown Savannah o que me permite caminhar para todo o lado sem precisar de viatura. Por isso so vantagens....
Mas agora aqui vai o problema. No ano passado comprei um bilhete para o mestre Andrew Bird que iria actuar em Atlanta para apresentar o novo album. Quando vi a data fiquei super contente pois o concerto era um sabado e podia ir ate Atlanta ver o concerto. O que eu nao fazia ideia era que o sabado, era o dia 17 de Marco, St.Patrick's Day!!
Por isso pela primeira vez desde que ca estou tenho que decidir entre duas actividades ludicas. Maravilhoso! So a mim e que acontecem destas coincidencias lindas...E agora tenho de decidir o que fazer.

quinta-feira, 15 de março de 2012

La verdad segundo El Corte Ingles

Estes espanhóis nunca tiveram um bom anúncio. Agora têm este. Reconhecem os sítios? E a música?
Eu ando a falar dos Edward Sharpe & the Magnetic Zeros desde 2009. E o Truth do Alexander é a pérola que me acompanha desde 2011. Ganhar dinheiro com royalties assim não é crime, pois não?



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Dinner Theatre

Neste pais e possivel encontrar de tudo e no domingo passado voltei a ter uma nova prova disso mesmo.
Pela primeira vez desde que ca estou decidi ir ao cinema. Escolhi o complexo mais recente e la fui eu a minha vida.
Quando ia para comprar o bilhete a menina avisa-me que o filme iria passar numa sala "Dinner Theatre". Eu sem saber o que isso era tentei perceber melhor. Perguntei-lhe inocentemente se seria um "cinema theatre". Ao que ela me responde que sim, que a sala tinha dois niveis, que tinha mesas e "booths".
Pois bem, sem entender la muito bem onde me iria meter acabei por arriscar. E nao e que a sala estava cheia de mesas e "booths" (nao sei qual a traducao para isto...)tal qual um restaurante?!! Ate a ementa nas mesas podemos encontrar, com pizzas, bifes, saladas,...Ja nao chegava a historia das pipocas e coca-cola. Esta gente tem sempre de ir mais alem. Surreal!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Pai

É só por uns dias. Vou estar noutro blogue até dia 7 de Fevereiro. Estar talvez não seja o verbo certo. Mas na blogosfera é permitido dizer o que apetece como apetece. O facto de estar cinco dias sem publicar o que seja não é caso para me desculpar. Tanto eu como o Luis estamos semanas sem aqui teclar. Teclar talvez seja o verbo certo. Mas é só para registar que nos próximos cinco dias vou estar em modo "pai a tempo inteiro".
Podem ver aqui.
http://panadosdochefe.blogspot.com

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

JANEIRO

É oficial. Janeiro é a segunda-feira do ano. As segundas-feiras são o horror de qualquer semana. São o inicio da barafunda, das pessoas que revemos sem realmente querer, dos trabalhos urgentes que nunca foram planeados e nunca deveriam ser. A segunda-feira devia acabar. E disse a Beatriz do alto dos seus  10 anos: "e fazias o quê às terças-feiras, é que passavam elas a ser como a segunda."
Não há memória de algo assim. Janeiro de 2012 é pior do que o seu homólogo de 2011? Há um ano tive de tirar férias para poder engolir uns sapos. Com esforço e banho de esperança a coisa aguentou-se. Mas depois veio uma segunda-feira. Agora vou tirar férias (já explicarei) mas parece que esta coisa de terminar Janeiro a pensar em mandar tudo pró caralho é a nova tradição instalada.
Até amanhã. Que é terça -feira e o último dia desta segunda-feira.

(que tal Luis? fazer do blogue muro de lamentações pode ser a solução para alimentar esta coisa... e o Vitor Pereira esse morcão ainda nos vai dar este desgosto de não ganharmos nada?? Vá lá, voltou o Lucho. Sim, o regresso de um jogador como ele parece uma coisa boa. Deve ser da conjuntura. Meia noticia boa parece uma maravilha)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Marquetingue quê? Agora os táxis.

2012 chegou pleno de sol e frio e com novas tarefas profissionais que me puseram a olhar para as os taxis como se nada mais belo no mundo existisse. A publicidade nessas viaturas vulgarizou-se. Das portas para os mini mupis de tejadilho, para os ecrãs no interior, já tudo vale. São IN MOTION PUB BUS. Não sei ainda se há coisas bizarras um pouco por todo o mundo (deve haver, deve haver) mas em Lisboa já registei o facto esquisito ambulante. Que a publicidade seja da TMN ou da Tasca do Ramos parece-me pacífico. Agora da Servilusa... não sei porquê mas o logotipo da funerária na porta da viatura faz-me pensar que estou a entrar num carro fúnebre. "É para o cemitério, se faz favor."

(sim, eu sei, que já tinha escrito esta coisita no meu facebook. Mas francamente não tinha mais nada para escrever no blogue a não ser disparates maiores ainda. E quem sabe se o Luis não revela já que em Rincon os táxis fazem publicidade a metralhadoras, granadas e afins)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Pausa de Natal

A ideia inicial era escrever sobre as prendas de Natal. Adiei dizer o óbvio. Que agora nada é surpreendente. Que as prendas compradas em Faro ou em Braga são iguais às compradas em Madrid. As lojas são franshizadas e o que está nas grandes superfícies é igual, também, ao que está nas ruas. E o que está nas lojas é igual ao que está na publicidade. Eu sou do tempo que os meus pais passavam a fronteira, que existia de facto, para ir ao El Corte Inglês, em excursões devidamente organizadas para o efeito. O primeiro boneco chorão da minha irmã veio de Vigo. Cá ainda não se encontravam esses belos carecas de borracha.
Agora posso ir ali à Praça de Espanha comprar as mesmas coisas que compro no Continente de Albufeira, no Jumbo do Almada Forum ou numa loja do Norte Shopping.
Também podia, e deviamos todos, sublinhar a demência das compras de Natal mesmo com o subsídio pela metade e a linha do horizonte carregada a negro. O grafite macio foi substituido por tinta permanente e o povo, indiferente, continua assinar sempre de cruz.
Ou podia, já que este blogue, em ano zero, foi mais música do que outra coisa, convidar o Luis e fazermos a nossa shortlist dos melhores álbuns e músicas e mais não sei o quê. Aproveitaria então para fazer justiça ao Tom Waits, André Tentugal,  Fleet Foxes, Kate Bush, Paus, James Blake, Cass  McCombs... todos eles ainda sem direito a passagem pelo blogue.
Mas não. Nada disso. Dizer que volto no próximo ano e talvez consiga escrever o texto optimista sobre 2012. E deixo só esta pergunta ao tipo com que vou jantar no dia 27 de Dezembro. Gostas disto?


(estarão em Atlanta a 1 de Março)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Problema de matemática

Um agricultor tinha um pomar. Todos os meses esse pomar dava-lhe 100 quilos de laranjas. Eram laranjas tão boas que o agricultor vendia-as a 13 € o quilo. Vendia as laranjas todas. Um dia reparou que precisava de mais dinheiro e decidiu passar a vender as laranjas a 23 €. Como eram muito caras, apesar de muito boas, o agricultor vendeu só 50 quilos de laranjas. Quanto ganhou o agricultor com o aumento do preço?

Problema para a 4ª classe ligeiramente inspirado na inspiração dos nossos governantes e na sua obsessão pela orçamento fiscal para 2012. Aumentem os impostos todos pá. Aumentem. Com toda a certeza a receita irá também aumentar e a economia florescer. Como a do agricultor das laranjas. 

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Onde pára o dinheiro?

Leio e ouço com considerável espanto opiniões de gestores, economistas e políticos, sobre a fé que têm na classe média e nos trabalhadores portugueses. Com o esforço destes, afiançam, sairemos da crise e orgulharemo-nos de Portugal. Cito de cor uma síntese das barbaridades que por aí se escrevem.
Eu gostava que alguém me ajudasse a fazer contas.
Todos os meses recebo o meu salário, cada vez mais curto. Nesse instante, o Estado recebe a sua quota. Pelo meu trabalho recebe também o seu prémio. Além disso deposito nessa coisa que é a Segurança Social um montante que não sei já se é empréstimo, contributo, dádiva ou alienação.
Com o dinheiro que de facto recebo vou às compras. Por cada litro de leite, quilo de arroz ou garrafa de vinho que compre o Estado recebe a sua quota via imposto sobre valor acrescentado. Se saio para jantar o Estado recebe a sua quota. Se beber um fino perante o ar desconfiado do empregado que lhe chama imperial o Estado recebe gorjeta. Se pago a luz, a água ou o gás que gastamos lá em casa o Estado recebe mais uns trocos. Se vou de férias pago ao Estado uma parte.  Se compro um chocolate para um dos pequenos ou se compro preservativos, um livro, um pão ou um pau... o Estado também recebe a sua parte. Se vou à casa de banho e puxo o autoclismo o Estado recebe dinheiro porque eu gastei água. Que eu pago. Porquê?
Porquê me vêm dizer  então que temos de fazer este esforço. Estes sacrifícios?
É o Estado que decide o valor dessas minhas contribuições. Quando não lhe bastam aumenta-as e pede-me para trabalhar mais. E acredita que eu percebo que o meu esforço é para benefício de todos. Não percebo.

Eu pergunto. Onde está esse dinheiro? O que eu a cada gesto enviei e envio para os cofres do Estado? É que também pago taxas moderadoras nos hospitais, portagens nas auto-estradas, bilhete para andar de comboio, livros para a pequena andar na escola, medicamentos na farmácia, estacionamento na via pública, transportes públicos, recolha de lixo, taxa de ocupação de subsolo, saneamento e até contribuição audio-visual... Nada é grátis.
Hoje, não fazemos mais do que alimentar parasitas.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Carta aberta

Lisboa, 23 de Outubro de 2011

Caro Luis

Espero que esta mensagem te encontre de boa saúde.
Escrevo-te de um país em crise. Tão grave que até o Outono se recusou a entrar ao serviço. Pela chuva de hoje parece que estamos também a poupar nas estações. Teremos passado do Verão para o Inverno. Comemos castanhas assadas com uma mão e gelados com outra. Agora o céu estoirou e aposto que lá fora há já árvores caídas, inundações, desbamentos e afins. Eu acho é que não tenho roupa senão de Verão.
Não sei se tens acompanhado as notícias sobre este país. Mas se queres o meu conselho é simples. Deixa-te estar. Todos querem emigrar. Menos o Portas, claro. E o bando de gestores de topo que vão ganhar comissões por terem atingido objectivos. Despedem pessoas, cortam salários, retiram prémios e afins não pagam a fornecedores e no fim, na hora de fazer contas, dá lucro. Para eles.
Os únicos negócios que estão a crescer são as lojas (podemos chamar a isto lojas?) de compra de ouro. Há mais estabelecimentos destes do que bancos ou cafés. Se fecha um café, passados uns dias lá está a montra forrada com um Compramos o seu ouro. Estive para fazer um post só sobre isso. Mas ando a poupar. Até nos posts. Porque não tenho ouro.
Tenho uma outra ideia que nunca concretizarei. Talvez já alguém o tenha feito mas eu gostava de fazer um álbum fotográfico das ruas de Lisboa, seleccionando apenas os sinais desta crise moderna. Os restaurantes cheios, a deitar filas de espera pela rua também seriam incluídos. Mas são tantas placas vende-se a pintar as fachadas dos prédios que me prendem a atenção. Isso e os respigadores à volta do lixo. É pois a crise. Cortes salariais, metade do subsidio este ano, os dois por inteiro no próximo ano, mais um imposto aqui, mais outro ali.
E para o ano mais meia hora por dia de trabalho. Anunciou o Pedro. Que vetou o PEC IV do José e o obrigou a dedicar-se à Filosofia. O Pedro, que também não terá Natal ou férias, apresentou agora um género PEC IV revisto e agravado. O pior mesmo é que apesar de indignados ninguém está verdadeiramente surpreendido.
O 'teu' Obama também fala da gente. Diz ele que a culpa da crise, que eventualmente sentes desse lado, é culpa dos europeus. Eu, vá lá, não me sinto nada europeu.

Eu sigo algo atrapalhado. Parece que não tenho tempo. Até para falar contigo ao telefone ou escrever, e mesmo para ver os teus posts no blogue. Andarão a cortar também no tempo? É que não tenho muito, não. Qualquer dia será taxado. O tempo.
A família alargada e ver os miúdos a crescer são o melhor e quase a única coisa que resta. No trabalho sobram urgências e problemas. Tento eu, quase só, manter-me resignado mas activo. E muito curioso com as medidas a anunciar para 2012. Agora são anúncios. Não são propostas.
E até o Porto nos dá alegrias tristes. Ganhámos por 5-0 mas não valemos 0,5. É a crise. A Moody's também cortou no ratting do FCP. Estamos em modo Jesualdo. Ganhamos no campeonato (sem saber bem como) e seremos (medo) humilhados na Europa.

Até breve caro amigo. E que a força esteja contigo. A salvação poderá passar por uma qualquer crença religiosa. Ou pela venda de ouro.
Abraço
Jaime



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Marquetingue quê? Não posso ir ao shopping center.


A ideia inicial não podia ser mais simples. Dar uma bicicleta ao miúdo que vai fazer dois anos. Mas para a idade dele é bicicleta sem pedais. Olho para os empregados das lojas e respiro para dentro. Explico que quero com pedais. Habituá-lo à coordenação motora e coisas assim, giras de dizer. Essas, roda 12'', são para os 3/5 anos. Há também estas que são vendidas sem pedais e depois compra a pedaleira e as rodinhas e vai montando. Então, se calhar vou ver se há na IKEA.
Decido procurar sozinho. Uma, outra e outra loja... É só Cars, Spider Man, Gormittis e afins. Não há uma bicicleta sem essas macacadas? Há, há sim senhor. Lindas de morrer. Entre os 200 e 300€. Roda 12'', para 3/5 anos. Oh, que pena. Ele só faz dois...

Encontro depois umas coisas raras. Sem Gormittis e afins. Verde alface com xadrez preto e branco e cornucópias alaranjadas. 79€, bom preço! Mas ao lado sinto a troça dos carros eléctricos de todas as cores e feitios por 59€. Transpiro. Como pode um veículo movido a bateria ser mais barato que uma simples bicicleta?
Mudo de loja. Outra e outra vez. Depois de consultada a mãe alargo a pesquisa a carros a pedais. Eu lembro-me de ter tido um.  O miúdo que ainda não tem 3/5 anos também adora volantes. E quer sempre sentar-se nos carros que vê na rua. Daqueles que por 1€ abanam para a frente e para trás. E para um lado e para outro ao som de uma melodia metálica, emitida em mono, que nos entristece de forma silenciosa.
Carros a pedais, carros a pedais... Temos este de arrasto e estes eléctricos. Nenhum com pedais, mas obrigado por explicar. O de arrasto custa 79€. Sem pedais, sem bateria, sem nada. É movido pela criança com os pés, como se estivesse a andar, mas sentado. Fecho os olhos e, em silêncio, insulto o universo. Os veículos eléctricos continuam a sua troça agora para todas as bolsas. Entre os tais 49€ e o salário mínimo. E mais. Como pode um carro de arrasto, a imitar o McQueen, custar mais do que um eléctrico? E pedais? Não podem fazer um kit pedaleira para eu instalar no de arrasto... Vou ter que ir à IKEA.

E finalmente encontro os Mercedes e BMW. A pedais, lindos, que custam 149€ ou 199€ consoante a cilindrada. Mas com pedais. Fico tão satisfeito que quase não estranho o preço. Afinal já só me interessa saber que sim. Que existem carros movidos a pedais. Para exercitar o desenvolvimento motor.
Mas são os Fiat 500 que triunfam. Pequenos, lindos. Sem pedais, eléctricos, e custam 179€. Movidos a bateria accionada pelo pé (é quase um pedal já alucino eu) ou pelo telecomando na mão do pai. velocidade máxima 2,7 km/h. E fico a cismar. Parece tudo articulado entre todas as lojas. Não, não temos o que procura. Lamento. E sorriem nas minhas costas. Tudo para nos fazer aqui chegar e pensar: é mesmo isto que eu queria. Um carro eléctrico que também pode ser movido pelo pai, qual carro telecomandado. Qual bicicleta, qual carapuça. Se é para exercitar as pernas que corra.



segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Marquetingue quê?


Vi no facebook da minha gaja que ela está interessada em ler o novo romance do Valter Hugo Mãe. Isto são modernices à prova do amor. Um tipo percebe nas redes sociais aquilo que a amada quer ter. Neste caso o que quer ler, porque um amigo sugeriu e ela fez like e mais não sei o quê.
Tendo nós conversado sobre o Valter há uns dias considerei uma oportunidade brilhante para um presente. Uma dedicatória sobre o amor que supera redes sociais, ou que delas se alimenta, e mais não sei o quê.
Eu nem gosto do Valter, apesar do autor. Mas também não sei muito bem porquê. Ou como explicaria a minha gaja, porque nunca gostas de ninguém. Mas, hora do almoço, salto à FNAC. Entro, vejo o livro, pego sem perder tempo. Caixa, cartão para aqui, cartão para ali. Obrigado.
Sento-me para a tal dedicatória e vejo, com agrado que a segunda folha está também em branco. Eu não gosto de escrever logo depois da capa. Mas esse branco amarelo desta edição contaminou todo o livro. Está em branco. Tudo. Excepção da capa.
Volto à FNAC. No apoio ao cliente pedem desculpa entre algumas piadas de circunstâncias. A funcionária solicita via telefone novo livro e informam que são todos assim. Trata-se de uma pré-venda. Uma quê? Tenho que trocar o talão de compra pelo livro, o livro, livro mesmo, a partir do próximo dia 23. Este pode ficar para si. E escreva o que quiser.
Estou bastante impressionado com a estratégia de marketing associado a esta edição. Encher uma prateleira de livros só com capa e preço (15,30€ já agora) será assim tão eficaz? Leve este que é a brincar e para a semana venha buscar um completo. Um individuo atento ou com mais tempo para as compras teria, até, folheado o livro. Ou, no limite, saberia a data de edição. Mas os gastos envolvidos nesta campanha são injustificáveis. Eu sei que produzir umas quantas capas a mais e com elas embrulhar papel sem impressão é baratito. Mas quem faz uma pré-compra do livro do Valter? Ainda por cima para oferecer?

Estive para pedir o dinheiro de volta. Mas uma prenda, é uma prenda. Já podes ler o livro, meu amor. Mas só na próxima semana.

notas: gaja, é aqui usado com carinho. Mas isso a gaja sabe. As maiúsculas no nome do autor também são propositadas. Ele que diz que terminou com o uso obstinado das minúsculas. Marquetingue, não é?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Maravilhosa Publicidade

Apos algum tempo de ausencia espero conseguir retomar os posts com a regularidade habitual.
A mudanca de casa esta concluida mas talvez esse assunto justifique um post. Quem sabe...
Mas este post relata outro assunto. Na semana passada estava com a tv ligada a ver o US Open e como em todo lado existem os fantasticos intervalos pejados de publicidade. Nos States as coisas sao um pouco diferentes, isto e, mesmo nos canais nacionais, os intervalos sao normalmnte constituidos por publicidade local. E aqui em Savannah podemos encontrar verdadeiras perolas.
Desde o anuncio a oficina da esquina, passando pela loja de artigos de pesca, tudo e hilariante.
Mas o mais surreal foi a publicidade a loja de armas. Lindo. Duas mocoilas a escolherem as suas armas. E como cereja no topo do bolo, anunciam a promocao que as 5feiras elas nao pagam para dar uns tiros na carreira de tiro que a loja possui. Nao e maravilhoso?

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Analógico

subtítulo: ou palissadas confusas de quem voltou de férias e tenta, como sempre, tomar decisões que provavelmente não chegarão, neste caso, ao papel.

A distância. Por causa dela temos este blogue. Eu e um amigo. Há outras distâncias que não ficam resolvidas pela via digital. Apesar disso tenho tido enormes surpresas. Com o facebook e até mesmo na blogosfera. Pelo facebook encontrei já velhos amigos que parecem continuar novos. Com alguns já encurtei a distância e até já partilhei mesa e conversas de miúdos que parece que não cresceram. Pelo menos entre eles. O facebook, apesar do muito voyeurismo exagerado, é também espaço para saber de filhos e divórcios, sucessos e viagens. Descobrir a música, os livros ou os filmes que os amigos sugerem. E coisas.
Mas tenho de voltar ao papel e à caneta. E manter a mesa e o receber gente em casa e eu estar na deles. Há muito para além do que se pode ter pela via digital.
Dantes, muito tempo antes disto tudo, tive amigos muitos que trocavam cartas com desconhecidos. Correspondiam-se com pessoas que nunca chegaram a ver. De outros países. Era o facebook analógico dos anos 80. Antes do email, do messenger, do Hi5 ou dos blogues.

Vou enviar uma carta, em papel decente, para um amigo que não é muito dado a estas modernices digitais. E se calhar meto-me a escrever cartas para mais gente.

E porque hoje é terça feira meto eu um vídeo. De 2006. Ainda não tinha (tínhamos) facebook.



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

(des)norte

Eu queria escrever sobre o vento da Póvoa de Varzim e sobre as tantas francesinhas que por lá comi. A melhor, nas duas variantes é, cientificamente, a do guarda sol. Contrario assim o Paulo que garante serem as do Vela Atlântica. Fraquinhas.
Eu tinha pensado em escrever sobre o Sérgio e sobre o facto de Baião poder parecer mais longe do que Rincon. Pensei num texto sobre as viagens ao Porto que me levam quase ao desespero. Num embrulho fino de alegria. Não estar com todos aqueles que quero (e desta vez eram muitos) e estar com os que posso metade do tempo, menos de metade, menos dessa metade. Por exemplo, com a Dora, ou a Patrícia, ou até com o meu pai, estive e nem sequer conversei. Também há a boda de casamento e o verdadeiro povo português. Que, para o ser, parece ter de ser emigrante ou viver para lá do Marão. E até podia escrever sobre o Baixo Sabor e a confusão que para ali vai bem próximo do Pocinho. E daqui falaria na minha anterior publicação (post) numa atitude de vaidade e desnorte. Só para sublinhar o norte.
Tinha pensado nos sinos da igreja de São Félix e o entusiasmo do Isaac. Queria, num nó demasiado óbvio, ligar as francesinhas da Póvoa às do Afonso sobre as quais conversei com o Meireles e que não partilhei com o Luis. E depois voltaria ao Sérgio que está em Baião e ao Rui que está em Lisboa e eu vejo pouco. Muito pouco. Podia ainda escrever sobre o blogue, outro, que partilharei com a Joana. Ou poderia escrever sobre os moços demasiado ocupados a crescer que não alimentam o melhor blogue que me lembro de ter visto.
Também queria escrever sobre o Vitor Pereira que quando franze a testa usa só a parte direita para o fazer. O resto está, estará, a pensar no nosso Porto. E escreveria sobre o estádio do Dragão e, nessa ocasião, sobre o Sr. José que lá chegado quase chorava e dizia que aquilo é outro mundo.
E podia, claro claro, falar dos emails para ler e dos trabalhos para fazer mesmo estando de férias. Da calma desconfiada da Ana e do adeus até breve do André. Ou do isto é que vai ser do Eduardo acreditando no talento do Moura. E até podia escrever sobre o meu novo Lázaro que como diz Bernard em As Ondas perdeu amigos pela incapacidade de atravessar a rua.
E claro. Dos meus filhos. Dos três. Mas isso não caberia neste blogue. Nem falar dos sobrinhos. Dos primos, da madrinha e padrinho velhotes ou dos tios que nem vejo, só cumprimento.
Mas nós não temos tempo. Nem tempo para o inventar. Fugimos sempre disso. Do tempo.
E por isso não escrevi nada. Coisa alguma. Até porque há já muito para ler. E bem melhor do que possa eu escrever. A Calita, por exemplo, ou o Marmelo.
Eu desligo até 16 de Agosto. E depois, uns dias e uns trocos, voltarei. Infelizmente. Claro. Até jã.

(vou só partilhar a SOKO e desligo mesmo)

sábado, 2 de julho de 2011

+ - 6404 km



















Parece que é isto. A distância. Se quisermos reduzir distância a kms, este blogue carrega mais de 6 mil quilómetros.

sábado, 25 de junho de 2011

Eu sou o gajo que esta nos States. Nem sequer vai ser necessario olharem para a assinatura para identificarem quem escreve. Basta lerem umas linhas de cada post e verificarem que ha um de nos que talvez nao saiba escrever, pois nao usa acentos e afins. Ou talvez nao. Talvez seja apenas por ser preguicoso ou entao talvez por estar a escrever num teclado americano....a escolha e do leitor. Mas posso desde ja dizer que esta primeira e simples diferenca entre os dois paises provoca algumas dificuldades de interpretacao. E verdade que podia passar o que escrevo por um corrector ortografico mas alem do trabalho que isso da tambem perdia este toque pessoal. Eheh.