quarta-feira, 16 de maio de 2012
Arranja-me um (des)emprego
Esta ideia do empreendorismo para todos é das mais bizarras. Não há trabalho? Inventem. Não há poder de compra, não há créditos, não há dinheiro, não haverá até muitos clientes mas abram o vosso negócio. Vamos todos abrir uma mercearia de bairro. Ou uma alfaiataria. Ou uma tabacaria smoke free. Uma sex shop 2 em 1 em que tudo é comestível. Menú do dia com bebida incluída à hora do almoço e uma happy hour a partir das 17h. Vamos ser criativos e vender gadgets muito bonitos ou panelas também bonitas ou macacos do nariz ou bolas de cera das orelhas. Tudo para exportação com o selo Made in Portugal. Ou vamos plantar o Alentejo e o Minho e o Algarve. Ou vamos para o mar, de cana de pesca ou num bote a remos. Refundemos, nós próprios, as confecções do Vale do Ave, vamos abrir um hostel em cada esquina, uma livraria só de livros para kindle, lojas de disco on line mas de rua. Uma loja de APPS em papel.
Vamos, com entusiasmo e sem medos, sair desta crise. Afinal são já quase 1 milhão de desempregados que tanto podiam fazer. Vejam as oportunidades, pá, elas estão todas aí. Podemos ter, num ápice, 1 milhão de novos negócios. De novas empresas! (Não me recordo é de ter ouvido o sr primeiro ministro falar sobre medidas de incentivo ao tal empreendorismo. Mas já ouvi muitas que atrapalham).
Eu tenho um emprego. Apesar de receber menos do que recebia há uns meses e trabalhar bastante mais. Mas tenho um emprego. Mas além disso tenho uma ideia. Até podia dizer "tenho um projecto em mente". Ando com isto na cabeça, e muito pouco nas mãos, há três ou quatro meses. Pode vir a ser um entretenimento, um complemento ou até uma coisa de futuro. Até porque tenho a minha gaja como parceira. Ou sócia?
Mas, lá está, tenho emprego e umas quantas bocas para alimentar e não saio disto. Da ideia. Não me sobra tempo para dar forma ao nosso negócio. E tenho de encontrar uma palavra para não usar mais esta. Negócio.
Pedro, não consigo agarrar esta oportunidade. Lá está. O sr primeiro ministro tem razão. Eu devia era estar desempregado. Já agora, o sr primeiro ministro também.
O Sérgio Godinho tem de mudar a letra da canção.
domingo, 22 de abril de 2012
Cinquenta e dois
Começou mais cedo do que eu. Ele, aos 10 anos já tinha patrão porque entretanto já não tinha pai. Já não o tinha por perto. Só morre quem é esquecido, repete ele muitas vezes. Foram 52 anos de trabalho e parece que 48 de descontos para a dita Segurança Social. Esta é a equação que lhe permitiu optar pela nova vi(d)a. Sendo que não sabe ao certo que vi(d)a é essa. Mas sabe como começa. Logo ao primeiro dia desse resto da vida dele passa-o no hospital. Coincidências pérfidas.
Mas eu a fazer contas de cabeça, sobretudo de somar, que as outras são mais difíceis, cheguei ao resultado do meu 52. Setenta e sete. Se eu trabalhar 52 anos aí chegarei com 77. Provavelmente sem direito a reforma quanto mais a pré. E chorarei todo o dinheiro que mês após mês me levam por imposição deste estado e ao estado que o deixamos, todos, chegar.
A inconfidência seguinte deixaria o meu pai com aquele ar carrancudo que rebenta em caralhadas várias. Aliás, toda esta coisa de estar aqui a falar dele, seria um caos sem diálogo. Mas como não usa a net e a família próxima não lê blogues sinto-me livre de consequências. No meu primeiro dia de trabalho, o primeiro a sério que conta como início da minha série 52, encheu-me ele de conselhos. Mais do que me deu no meu no primeiro de escola. Que me lembre. Eu começava a coisa já tarde e depois de aventuras sem sentido ainda antes da faculdade mas já depois de estágio profissional nada profissionalizante. Ele carregava nesse dia aquele ar de orgulho amedrontado. O filho mais velho começava a trabalhar e no ramo que escolheu (apesar de mais tarde se ter arrependido). O primeiro recibo, esse, seria superior, em valor, a todos os que ele alguma vez veria.
Agora fica em casa. Ele, e a minha mãe, cansados de tanto e de nada, vão tentar aprender a viver juntos outra vez, de outro modo. Num modo com mais horas. Creio que isso os preocupa mais do que qualquer outra coisa. Apesar de eles se preocuparem por tudo e por nada.
O meu pai viverá mais 20 ou 30 anos. No fim, as contas não serão outras. Terá passado mais de metade da vida a trabalhar. Faz parte, dizem. A mim parece-me que nos querem fazer crer que é para isso que cá estamos. Trabalhar. E dizem agora, à boca cheia, que já é uma sorte ter trabalho. Há muitos que não o têm, completam. Às vezes questiono porque tenho de trabalhar tanto. E, sobretudo, para quê.
quarta-feira, 28 de março de 2012
Maravilhas da publicidade
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Portateis
Mas ao chegar aqui cheguei a conclusao que ninguem leva o portatil para casa. Pontualmente um ou outro e capaz de levar mas sao excepcoes. Isto pode ter varias interpretacoes mas a minha e que a partir do momento que sao 5 da tarde a empresa morreu e so voltam a pensar em trabalho no outro dia.
Entao a minha pergunta e: porque e que esta gente quer tanto ter um portatil? Para passearem na empresa com o computador debaixo do braco e parecerem que trabalham muito? Por uma questao de estatuto? Enfim...
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Natal
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Onde pára o dinheiro?
Eu gostava que alguém me ajudasse a fazer contas.
Todos os meses recebo o meu salário, cada vez mais curto. Nesse instante, o Estado recebe a sua quota. Pelo meu trabalho recebe também o seu prémio. Além disso deposito nessa coisa que é a Segurança Social um montante que não sei já se é empréstimo, contributo, dádiva ou alienação.
Com o dinheiro que de facto recebo vou às compras. Por cada litro de leite, quilo de arroz ou garrafa de vinho que compre o Estado recebe a sua quota via imposto sobre valor acrescentado. Se saio para jantar o Estado recebe a sua quota. Se beber um fino perante o ar desconfiado do empregado que lhe chama imperial o Estado recebe gorjeta. Se pago a luz, a água ou o gás que gastamos lá em casa o Estado recebe mais uns trocos. Se vou de férias pago ao Estado uma parte. Se compro um chocolate para um dos pequenos ou se compro preservativos, um livro, um pão ou um pau... o Estado também recebe a sua parte. Se vou à casa de banho e puxo o autoclismo o Estado recebe dinheiro porque eu gastei água. Que eu pago. Porquê?
Porquê me vêm dizer então que temos de fazer este esforço. Estes sacrifícios?
É o Estado que decide o valor dessas minhas contribuições. Quando não lhe bastam aumenta-as e pede-me para trabalhar mais. E acredita que eu percebo que o meu esforço é para benefício de todos. Não percebo.
Eu pergunto. Onde está esse dinheiro? O que eu a cada gesto enviei e envio para os cofres do Estado? É que também pago taxas moderadoras nos hospitais, portagens nas auto-estradas, bilhete para andar de comboio, livros para a pequena andar na escola, medicamentos na farmácia, estacionamento na via pública, transportes públicos, recolha de lixo, taxa de ocupação de subsolo, saneamento e até contribuição audio-visual... Nada é grátis.
Hoje, não fazemos mais do que alimentar parasitas.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Bruxas
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Carta aberta
Caro Luis
Espero que esta mensagem te encontre de boa saúde.
Escrevo-te de um país em crise. Tão grave que até o Outono se recusou a entrar ao serviço. Pela chuva de hoje parece que estamos também a poupar nas estações. Teremos passado do Verão para o Inverno. Comemos castanhas assadas com uma mão e gelados com outra. Agora o céu estoirou e aposto que lá fora há já árvores caídas, inundações, desbamentos e afins. Eu acho é que não tenho roupa senão de Verão.
Não sei se tens acompanhado as notícias sobre este país. Mas se queres o meu conselho é simples. Deixa-te estar. Todos querem emigrar. Menos o Portas, claro. E o bando de gestores de topo que vão ganhar comissões por terem atingido objectivos. Despedem pessoas, cortam salários, retiram prémios e afins não pagam a fornecedores e no fim, na hora de fazer contas, dá lucro. Para eles.
Os únicos negócios que estão a crescer são as lojas (podemos chamar a isto lojas?) de compra de ouro. Há mais estabelecimentos destes do que bancos ou cafés. Se fecha um café, passados uns dias lá está a montra forrada com um Compramos o seu ouro. Estive para fazer um post só sobre isso. Mas ando a poupar. Até nos posts. Porque não tenho ouro.
Tenho uma outra ideia que nunca concretizarei. Talvez já alguém o tenha feito mas eu gostava de fazer um álbum fotográfico das ruas de Lisboa, seleccionando apenas os sinais desta crise moderna. Os restaurantes cheios, a deitar filas de espera pela rua também seriam incluídos. Mas são tantas placas vende-se a pintar as fachadas dos prédios que me prendem a atenção. Isso e os respigadores à volta do lixo. É pois a crise. Cortes salariais, metade do subsidio este ano, os dois por inteiro no próximo ano, mais um imposto aqui, mais outro ali.
E para o ano mais meia hora por dia de trabalho. Anunciou o Pedro. Que vetou o PEC IV do José e o obrigou a dedicar-se à Filosofia. O Pedro, que também não terá Natal ou férias, apresentou agora um género PEC IV revisto e agravado. O pior mesmo é que apesar de indignados ninguém está verdadeiramente surpreendido.
O 'teu' Obama também fala da gente. Diz ele que a culpa da crise, que eventualmente sentes desse lado, é culpa dos europeus. Eu, vá lá, não me sinto nada europeu.
Eu sigo algo atrapalhado. Parece que não tenho tempo. Até para falar contigo ao telefone ou escrever, e mesmo para ver os teus posts no blogue. Andarão a cortar também no tempo? É que não tenho muito, não. Qualquer dia será taxado. O tempo.
A família alargada e ver os miúdos a crescer são o melhor e quase a única coisa que resta. No trabalho sobram urgências e problemas. Tento eu, quase só, manter-me resignado mas activo. E muito curioso com as medidas a anunciar para 2012. Agora são anúncios. Não são propostas.
E até o Porto nos dá alegrias tristes. Ganhámos por 5-0 mas não valemos 0,5. É a crise. A Moody's também cortou no ratting do FCP. Estamos em modo Jesualdo. Ganhamos no campeonato (sem saber bem como) e seremos (medo) humilhados na Europa.
Até breve caro amigo. E que a força esteja contigo. A salvação poderá passar por uma qualquer crença religiosa. Ou pela venda de ouro.
Abraço
Jaime
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Overtime
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Lixo
A rota de um camião do lixo coincide com o meu passeio matinal por Lisboa. Ali, entre o Príncipe Real descendo a rua do Século e subindo pela mui esguia João Pereira de Sousa até à Rua dos Caetanos. O meu objectivo, agora que já conheço a rotina, é entrar na rua do Século antes da dita viatura. Se ficar atrás perco ali uns bons 10 minutos. A pequena pode chegar tarde à escola. Até porque, depois de eu parar com intermitentes ligados, ela precisa ainda de 10 minutos. Oito para sair do carro (mochila, marmita, saco de tiracolo e mais um extra qualquer que nunca identifico) e talvez dois cheguem para chegar à sala de aula. Tudo isto ainda antes das 8h20m.
Quando, como hoje, entrei no século já atrasado, acompanho o camião analisando o empenho dos "homens do lixo". Hoje por acaso um deles era uma. Loira, cabelo amarrado, farda larga para o corpo. Luvas. Nem todos usam luvas. Em tempos fiz uma ronda com os homens do lixo na zona das Antas, na mui nobre cidade do Porto. Tipo reportagem fotográfica e avaliação da implementação do sistema de recolha selectiva porta a porta. Desde então, ou um pouco antes ainda, interessam-me os gestos daqueles homens, e agora mulheres, que, pendurados nas traseiras de um camião mal cheiroso, vão saltitando entre o degrau, a rua e o passeio. Atiram sacos para a trituradora móvel, abanam caixotes, bociferam com os sacos que mal atados se espalham no chão. Uns apanham o que cai, outros seguem indiferentes. Por vezes separam para si um ou outro objecto como se fosse a gorjeta. "Talvez este rádio ainda funcione". Siga gritam depois para o motorista que acelera percebendo, imagino eu, o final do turno. E o rabo de cavalo da loira lá foi subindo a Rua da Rosa deixando um rasto de cor e odor bastante peculiar. Como diria o Senhor Lei da cidade dos brinquedos.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Preso no trânsito
Aparece o distribuidor de jornais gratuitos. Será que lhes posso chamar ardinas gratuitos? Ontem usavam cabeleiras laranjas. Hoje carregam uma bandeirinha às costas. No carro a pensar. Quanto ganha um homem para ser ardina gratuito? Terá filhos? A vida dele cabe num mês?
Há quem não mereça sequer uma primeira oportunidade. Quanto mais uma segunda. E há quem, nada disso merecendo, tenha oportunidades ilimitadas. Mas, estava eu no carro a pensar que há cada vez menos pessoas a ter uma oportunidade. Uma oportunidade de jeito. E que há trabalhos que são uma merda. E outros, evidentemente, piores. Muito piores.
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Depressão
Não me é permitido contratar colaboradores que não possam chegar via IEFP. Ou seja, estágio profissional que é em parte, substancial, suportado pelo IEFP. Não posso, ou pude poucas vezes, manter os estagiários que se evidenciam. Que merecem. Por uma questão puramente financeira giro um departamento volátil. (Actualmente, um destes estágios significa 9 meses de trabalho com uma remuneração à volta dos 700 euros)
Mas depois, eis que chega o momento das candidaturas. Os erros ortográficos, os anexos prometidos que não chegam em anexo, aqueles que num email explicam tudo e os que não escrevem nada. Nada. As elevadas proficiências, os conhecimentos aprofundados de internet, o gosto generalizado pela leitura. As viagens, a música e o cinema.
Desta vez vi muitos eliminar a data de nascimento. Outros, tantos, a suplicar uma entrevista mesmo assumindo que não estão dentro do perfil exigido. Há aqueles que escrevem sobre a empatia e facilidade de interagir com outrem e todos têm aptidões disto e daquilo. Há quem envie o curriculum no modelo europass e sublinhe a criatividade como característica. Há outros que enviam páginas em branco. Outros são padeiros, jardineiros, empregados de mesa, bodypiercers mas todos são formados em design. Alguns não sabem trabalhar em photoshop, illustrator, freehand, indesign. Nada. Há quem garanta ter visão espacial.
Já tive miúdos que interrompem a entrevista a chorar porque não conseguem respirar de tão apertado que levavam o nó da gravata. E eu sou dos simpáticos que nem gravata usa. E já tive uma miúda, brasa, que chegada à porta me garantia que o melhor seria entrevistar também a amiga que trouxera. Porque, mesmo garantindo eu que só tinha uma vaga, ela só trabalharia se a amiga fosse também admitida. A uma outra perguntei-lhe como era a relação dela com a fotografia. Respondeu-me que sim. Que o namorado a fotografava muitas e muitas vezes. E corou. Já contratei uma por ter sido a única nesse dia (faço as entrevistas num só dia) que pousou a carteira na cadeira ao lado. Todas as outras se agarraram à mala que parecia colada ao colo. Já fui criticado por algumas opções. Nunca me arrependi de nenhuma.
Para a semana escolherei mais um OSCI. Um privilégio.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Meu querido mes de Agosto
Nao sou so eu que acho estranho os costumes dos americanos. Tambem eles nao entendem os nossos...
Agosto. O belo do mes das ferias. Aproxima-se rapidamente o mes de ferias por excelencia de Portugal e porque nao da Europa e durante o qual a grande maiora da populacao goza umas “merecidas” ferias”, fazendo parar nacoes.
Pois bem, em conversa com uma colega de trabalho, ela acha deveras estranho o facto de uma grande parte das empresas em Portugal e na Europa fecharem em Agosto. E nao fecham apenas alguns dias. Ela nao entende como isso e possivel. Questionava-se ela como isso era possivel, como os consumidores tinham acesso aos produtos e servicos. Foi necessario explicar que tudo esta formatado dessa forma e que tudo funciona. As empresas sabem que durante esse mes sera dificil obter mat.prima e por isso fazem o seu planeamento de compras com a devida antecedencia (as que fazem, obviamente).
De realcar que nos EUA a unica altura em que as empresas diminuem um pouco a actividade e na semana entre o Natal e Ano Novo. O resto do ano nao sofre oscilacoes.
Qual sera o formato ideal? Europa ou EUA?
domingo, 10 de julho de 2011
eu vou andando
Agora é um ver se te avias. Ninguém fica satisfeito por muito tempo. E actualmente com a crise imposta pela troika e com as medidas irracionais de racionalização muitos têm sido dispensados, transferidos, pre reformados ou simplesmente demitidos. Outros fazem-se eles próprios à vida. Pois que isto não está para maluquices e a maior de todas, pode muito bem ser, ficar a fazer o dobro com metade. Metade da paciência e da vontade também.
Há por isso por aí, como sempre houve, umas cartas de demissão que nunca são públicas. Agora e graças ao email há outra nova figura intimamente ligada aos despedimentos que é a mensagem de despedida.Um email enviado a toda a gente da empresa (por vezes também para clientes e fornecedores mas isso é outra história) informando do caso e deixando contactos, ou não, para qualquer outro caso que venha a ser necessário.
O título deste post é o mesmo que alguém escreveu no assunto do email que dava a conhecer que fulana tal se tinha decidido a mudar de ares. A generalidade das pessoas não abandona o tom correcto e formal mesmo em despedida. "É com pena" dizem os que saem por vontade própria e mesmo aqueles que empurrados se fazem a caminho. "É num misto de tristeza e alegria pelo abraçar de novos projectos" dizem também uns e outros. Todos, claro, falam dos tantos amigos que ali fizeram e que levam, exageram, no coração. Uns são verdadeiros. Outros, até no dia da despedida, falsos. Todos procuram deixar claro de quem partiu a iniciativa de terminar a ligação laboral. Mesmo que esteja em entrelinhas.
Creio que todos os que recebem estes emails pensam naquele que um dia escreverão. Alguns tiram apontamentos para memória futura. Muitos ficam tristes. Outros felizes no murmurar do "já foste" sorridente. E outros sabem que nunca vão escrever um texto destes.
O último que recebi, o melhor de todos, terminava assim.
É assim que me despeço. Com um enorme sorriso!
quarta-feira, 29 de junho de 2011
18 minutos
Segui o link e percebi que teria sessão de esclarecimento durante 18 minutos. Iniciei a visualização. Fui interrompido uma e outra vez. Isto e aquilo, esta e aquele, mais um telefonema e outro email e alguém à porta e a entrega de outro trabalho. Reler um texto, aprovar um desenho. Print, save, delete, undo.
Não vejo mais do que um vídeo ou dois por dia. Das dezenas que me são sugeridos. Não é possível ver um vídeo com mais de 5 minutos na internet durante o dia de trabalho. Às vezes, almoçando ali, em frente ao ecrã, esse desafio é superado. Às vezes os clips musicais resistem. Mas tantos morrem ao fim dos primeiros segundos.Ouço-os. Já não os vejo. Guardo, para ver ou rever, em mais separadores que se abrirão no dia seguinte de modo automático.
Já este, este sim, uma inspiração escolhida aleatoriamente entre as tantas sugestões do mural do facebook. (Acabo de sugerir 24 minutos de vídeos online)